MULHERES POR UM PLANETA SUSTENTÁVEL

CONHECENDO O ECOFEMINISMO

Autores

  • Camila Silva de Lavor Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF)

Palavras-chave:

Sustentabilidade, Feminismo, Ecologia

Resumo

“Desde o primeiro dia, ela sempre teve tudo o que precisa dentro de si mesma, foi o mundo que a convenceu que ela não tinha”.

(Rupi Kaur)

Ao longo da história humana vivemos inseridos em um sistema patriarcal que detém suas mulheres a atividades subalternas, em deveres antropo-culturais do microssistema: lar, família, casa e obediência. Sim, nós sabemos de tudo isso. Mas graças a Mãe Natureza, porque ela é MÃE (maiúsculo), a partir de incontestáveis lutas por conquistas de prerrogativas básicas, ativistas pelos direitos femininos questionaram-se sobre quais seriam as relações entre as temáticas ambientais e de gênero dentro de nossa sociedade, dando início assim ao movimento que denominamos “Ecofeminismo”. Para maior exatidão, a primeira vez que o termo “Ecofeminismo” foi utilizado data de 1974, a partir da publicação “Le Feminism ou la Mort” (Feminismo ou a Morte), da autora e ativista Françoise d’Eaubonne. A obra consagrou-se como um marco para o impulso de movimentos de mulheres que reivindicam um planeta mais sustentável, tendo como base a valorização de todos os seres e da vida de forma igualitária. Esta corrente traz a afetividade em conjunto com a ética ambiental, o ser humano como um ser que necessita entender e compartilhar a vida com a natureza e tudo que compõe. Ainda em seu livro, d’Eaubonne apresenta questões como o direito ao controle de natalidade, argumentando que a superpopulação seria resultado do controle patriarcal sobre os corpos femininos. Nesse sentido, o “Ecofeminismo” atua na luta por justiça ambiental, igualdade de gênero e pela desconstrução da cultura patriarcal, uma vez reconhecendo que os danos ao meio ambiente impactam, principalmente, as minorias: mulheres agriculturas, pequenas produtoras, oriunda de povos originários e/ou de comunidades pesqueiras. A defesa da natureza e de uma vida em harmonia com a mesma é sistema não só capaz de melhorar nossas condições humanas individualistas, como a comunidade na qual estamos inseridos, quando analisamos, por exemplo, que o manuseio da terra por estas mulheres não se restringe ao processo capitalista de compra e venda de mercadorias manufaturadas, mas sim do que será oferecido dentro de seus próprios lares, desempenhando papel fundamental na    sustentabilidade dos diversos sistemas alimentares. Desse modo, dentro do movimento ecofeminista observamos respeito e parceria com todos os seres que compõe os ecossistemas, recursos naturais e a vida gerada. Assim, definir-se como “Ecofeminista” ainda pode ser um pouco difícil para muitas mulheres, muitas das quais talvez nem saibam que de fato são. Mas, ao entender sobre o tema é provável pelo menos remetermos alguém em nossa mente: uma mãe, avó, conhecida ou a si própria. O termo pode ser relativamente novo, mas a sabedoria feminina com relação as benções que a mãe terra nos oferece é certamente ancestral. 

Publicado

2022-07-14