A dialética de Gota d’água
o conflito entre Joana e Creonte como dialética entre a sabedoria encantada popular e o modo de produção capitalista financeirizado
DOI:
https://doi.org/10.5281/Keywords:
Dialética, Tragédia, Saber Popular Encantado, Modo de Produção Capitalista, Gota d´águaAbstract
Neste artigo apresento argumentos para considerar que, apesar de a peça Gota d’água, de Chico Buarque e Paulo Pontes, ter como resumo a história de uma mulher, Joana, abandonada por seu marido, Jasão, por uma mulher mais nova, Alma, a obra apresenta uma relação dialética, típico do modo trágico de Peter Szondi, no conflito entre Joana e Creonte, o pai de Alma. Esse conflito da peça se desdobra em outro movimento dialético do conteúdo da peça com relação à realidade social a partir da perspectiva da relação dialética entre tragédias e sociedade proposta por Raymond Williams: Joana mobiliza o saber popular encantado das religiões de matriz africana a se contrapor à pseudo-razão do modo de produção capitalista financeirizado, o que é um diagnóstico social observável na movimentação capitalista de extermínio de tudo aquilo que não lhe ofereça utilidade – diagnóstico que se tem a partir de Silvia Federici e Robert Kurz.
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