Uma abordagem filosófica do teatro de Nelson Rodrigues

Autores/as

  • Ana Maria Portich Universidade Estadual Paulista-UNESP/Marília

DOI:

https://doi.org/10.5281/

Palabras clave:

Teatro brasileiro, Drama moderno, Drama burguês, Tragédia, Naturalismo

Resumen

Afirmamos que, frente à hegemonia exercida por teóricos que consideram o teatro de Nelson Rodrigues como marco inicial da cena moderna no Brasil, não basta fazer uma revisão de literatura para compreendê-lo. Isso porque, tomando como parâmetro autores do campo filosófico como Georg Lukács, Peter Szondi e Raymond Williams, os quais estabeleceram um paralelo entre a modernidade e a feição que o gênero dramático adquire a partir do Renascimento, percebe-se que as peças de Rodrigues sinalizam a crise do drama moderno, sua negação, e não adesão. A liberdade de atuação ou o poder de decisão nas relações intersubjetivas – pedra angular do drama moderno – não têm lugar em suas tramas, pois elas se encerram no círculo estreito da tragédia familiar e/ou na clausura subjetiva de conflitos psicológicos, quando não caracterizam as personagens sob o aguilhão do determinismo naturalista.

Biografía del autor/a

  • Ana Maria Portich, Universidade Estadual Paulista-UNESP/Marília

    Na virada dos anos 90, participou de grupos de teatro como o Boi Voador e o Teatro Oficina, atuando nas áreas de produção e direção. Desde 2010 é docente do Departamento de Filosofia da UNESP de Marília. Dentre suas publicações, destacam-se A arte do ator entre os séculos XVI e XVIII – Da commedia dell'arte ao Paradoxo sobre o comediante, que saiu em 2008 pela editora Perspectiva, bem como os Ensaios de teatro e filosofia: do Renascimento ao século XVIII, publicados em 2021 pela Editora UNESP. Em 2016 realizou pesquisas de pós-doutorado na Universidade Sorbonne, e, de 2005 a 2007, pós-doutorado em Filosofia pela UFSCar, sob orientação de Bento Prado Jr. e Luiz Roberto Monzani. Em 2002 fez parte de seu doutoramento na Universidade Ca'Foscari, de Veneza.

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Publicado

2025-12-31