Das travessias, o travesso
refigurações utópicas do pícaro ibérico do século XVI em cordéis dramatúrgicos de Lourdes Ramalho
DOI:
https://doi.org/10.5281/Palabras clave:
Lourdes Ramalho;, Cordel dramatúrgico, Pícaro ibérico, Refiguração de personagens, Cosmovisão utópicaResumen
O artigo realiza uma análise dos procedimentos literários adotados por Lourdes Ramalho voltados a ressignificar a figura do pícaro ibérico do século XVI nos cordéis dramatúrgicos Malasartes Buenas Artes (Ramalho, 2004) e Novas aventuras de João Grilo (Ramalho, 2008), tendo como base a teoria da figuração de personagens (Reis, 2017), dadas as mudanças empreendidas para que os protagonistas desempenhem o impulso utópico (Moylan, 2003) qual heróis engajados nas lutas pelo bem popular. Imortalizados nos contos populares da Península Ibérica, Pedro Malasartes e João Grilo são figuras ancestrais de proa do repertório de histórias de tradição europeia que atravessa o Atlântico rumo à colônia portuguesa para criar raízes em solo brasileiro. Da análise realizada, constata-se que a refiguração do pícaro ibérico, anteriormente marcado pela performance da travessura, representa uma alternativa criativa de ressignificação dos modos de ser, pensar e agir em relação à sacralidade da Natureza (Murdock, 2022), com base na cosmovisão utópica para suscitar no público uma consciência ecossociopolítica acerca da urgência de atitudes heroicas de defesa do meio ambiente.
Referencias
ALMEIDA, Leandro de Sousa. Lourdes Ramalho e o Método LerAtos na formação de professoras Leiautoras Utópicas em bibliotecas de Portugal e do Brasil. 383 f. Tese (Doutorado em Literatura e Interculturalidade) - Universidade Estadual da Paraíba, Campina Grande, 2024.
ANDRADE, Valéria. Lourdes Ramalho na cena teatral nordestina: sob o signo da tradição reinventada. In: MACIEL, Diógenes André Vieira; ANDRADE, Valéria (Org.). Dramaturgia fora da estante. João Pessoa: Ideia, 2007. p. 207-222.
ANDRADE, Valéria; MACIEL, Diógenes. Veredas da dramaturgia de Lourdes Ramalho. In: ANDRADE, Valéria, MACIEL, Diógenes (Org.). Teatro [quase] completo de Lourdes Ramalho. Organização, fixação dos textos, estudo introdutório e notas de Valéria Andrade e Diógenes Maciel. Maceió: Edufal, 2011, p. 7-35. V. 1, Teatro em cordel.
ANDRADE, Valéria. Lourdes Ramalho e o ofício de escrever-pensar teatro. In: GOMES, André Luís; MACIEL, Diógenes André Vieira (Org.). Penso Teatro: dramaturgia, crítica e encenação. Vinhedo: Horizonte, 2012. p. 220-238.
ANDRADE, Valéria. A professora e o jogo de sonhos. Lourdes Ramalho: 100 anos. Correio das Artes, Ano LXXI, n. 6, p. 9-11, ago. 2020.
ANDRADE, Valéria; SILVA, Bruna F. da; ARAÚJO, Juliana do N.; ALMEIDA, Leandro de S. Inês de Castro e o cordel dramatúrgico Almas Livres: uma proposta de leitura na sala de aula pela aplicação do Método LerAtos. In: LEMOS, Anna PAULA; LIMA, Ricardo Augusto de; CIANCONI, Vanessa (Org.) Teatro e ensino: a cena como potência transformadora. São Carlos: Pedro & João Editores, 2025. p. 63-84.
ARENDT, Hannah. On violence. San Diego; New York; London: A Harvest/HBJ Book Harcourt Brace Jovanovich, 1970.
AYALA, Maria Ignez Novais. Riqueza de pobre. Literatura e Sociedade, v. 2, n. 2, p. 160-169, dez. 1997.
BLOCH, Ernest. O princípio da esperança. Rio de Janeiro: Contraponto, 2005.
COCCIA, Emanuelle. Metamorfoses. Desenhos de Luiz Zerbini, tradução de Madeleine Deschamps e Victoria Mouawad. Rio de Janeiro: Dantes, 2020.
DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. Mil platôs: capitalismo e esquizofrenia. Vol. 2, Tradução de Ana Lúcia de Oliveira e Lúcia Cláudia Leão. São Paulo: 34, 2012.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da esperança: um reencontro com a Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992.
GALEANO, Eduardo. El derecho al delírio (3 septiembre de 1940). Repositório UCA, 13 de abril de 2015.
GONZÁLES, Mário. O romance picaresco. São Paulo: Ática, 1988.
HOMOLKA, Sônia Pereira. Literatura de cordel: Vozes da Identidade e um Breve Estudo Memorialístico. Provo, UT (USA): Brigham Young University, 2015.
MEC. Parâmetros curriculares nacionais: meio ambiente e saúde / Secretaria da Educação Fundamental. 3. ed. Brasília: MEC/SEF, 2001.
MORE, Thomas. Utopia. Tradução de Beatriz S. S. Cunha. São Paulo: Principis, 2021.
MOYLAN, Tom. Utopia e Pós-modernidade: seis teses. Revista Leitura, n. 32, p. 121-134, 2003.
MURDOCK, Maureen. A jornada da heroína: a busca da mulher para se reconectar com o feminino. Prefácio de Sandra Trabucco Valenzuela. Rio de Janeiro: Sextante, 2022.
PESSÔA, Augusto. Malasartes: histórias de um camarada chamado Pedro. Ilustração de Roberta Lewis. Rio de Janeiro: Lendo e Aprendendo, 2018.
VIEIRA, Fátima. A Comunicação de Ciência e o modo de pensar Utópico: uma Visão para 2030. In: FIGUEIREDO, Carla et al. (Org.). II Seminário Internacional EXPRESSA: Re-imaginar a Comunicação Científica em Educação. Edição CIIE/FPCEUP, 2021, p. 15-22.
VILAÇA, Marcos Vinícios; ALBUQUERQUE, Roberto Cavalcanti de. Coronel, Coronéis: apogeu e declínio do coronelismo no Nordeste. 4. ed. rev. e ampliada. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2003.
RAMALHO, Maria de Lourdes Nunes. Lourdes Ramalho. Diário do Nordeste, 2008.
RAMALHO, Maria de Lourdes Nunes. Malasartes Buenas Artes. In: RAMALHO, Maria de Lourdes Nunes. Teatro infantil: coletânea de textos infanto-juvenis. Campina Grande: Edição de autora, 2004. p. 43-52.
REIS, Carlos. Para uma teoria da figuração. Sobrevidas da personagem ou um conceito em movimento. Letras de Hoje, Porto Alegre, v. 52, n. 2, p. 129-136, 2017.
ZUMTHOR, Paul. Performance, recepção, leitura. Tradução de Jerusa Pires Ferreira e Suely Fenerich. São Paulo: Ubu, 2018.