Chamada para o Dossiê "Ensino Remoto Emergencial e Saúde Mental nas Universidades Brasileiras"

2021-08-11

Esta chamada tem por objetivo disseminar produções de conhecimento sobre a atual realidade do Ensino Remoto Emergencial (ERE), seus impactos na saúde mental das comunidades acadêmicas das universidades brasileiras, sejam públicas ou privadas, assim como sobre as possibilidades de intervenção no sentido de promoção de saúde e bem estar.

O ERE foi instituído em virtude das medidas de contenção da transmissibilidade da COVID-19 como alternativa para que as instituições educativas pudessem seguir seus calendários letivos, já que houve necessidade da suspensão das aulas presenciais. Frente ao cenário, as Instituições de Ensino Superior (IES) optaram por uma nova metodologia de ensino, ofertando remotamente capacitações para o uso de Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDIC), ferramentas de ensino e metodologias ativas de avaliação para docentes lecionarem online.

O ERE não é Ensino à Distância (EaD), visto que este último, dentre outras diferenças, oferta suporte contínuo e sistemático aos processos de ensino-aprendizagem; resulta de design, planejamento e desenvolvimento educacionais sistemáticos e cuidadosos; adota avaliação eficiente e meticulosa. Isso geralmente falta na maioria das adaptações das IES ao ERE, pois não se objetiva grande ambiente educacional, mas possibilitar acesso rápido/confiável ao ensino com suporte durante emergência ou crise.

Nessa modalidade de ensino, professores assumem maior controle do design e desenvolvem processos de implementação das disciplinas, ficando sozinhos para improvisar soluções rápidas em circunstâncias inadequadas, o que pode gerar desgaste no trabalho e afetar suas percepções dos resultados/qualidade do seu fazer cotidiano. Assim, os docentes, que já vinham enfrentando no Brasil desvalorização social, econômica e política, além de sobrecarga de trabalho diante do produtivismo acadêmico, teve que enfrentar desafios atípicos: uso de novas TDIC; reinvenção da prática docente e da relação professor-aluno; atendimento aos universitários e a exigências de trabalho por diferentes meios; adequação de um espaço de trabalho no contexto de suas residências; ampliação do tempo dedicado ao trabalho. Tudo isso pode reverberar em nexo causal doença-trabalho.

Por sua vez, os discentes nem sempre têm acesso de qualidade ao ERE e a TDIC para auxiliá-los nas atividades online e/ou não dispõem de ambiente apropriado para estudar, o que sinaliza mais desigualdades no sistema educacional brasileiro, cujo maior impacto é vivido por estudantes de instituições públicas e/ou com deficiência. Diante de tantas dificuldades, eles podem ficar desmotivados com acesso precário às aulas online, sentirem-se sobrecarregados com tantas atividades síncronas/assíncronas, inseguros diante de novos tipos de avaliação,  comprometerem o prazo de conclusão de seus cursos, estarem excessivamente expostos às TDIC e sentirem falta de contato/convívio interpessoal na rotina escolar, aspectos que são adicionados a fatores de estresse e de risco, já extensivamente estudados, que atestam o sofrimento psíquico do universitário como questão de saúde pública.

Frente esta realidade que evidencia a fragilidade dos sistemas educacional e de saúde pública do nosso país e gera pressões institucionais para reestruturação da dinâmica de ensino-aprendizagem, consideramos ser preciso que estudiosos produzam conhecimentos denunciando os impactos do ERE e/ou propondo estratégias de enfrentamento do cenário e promoção de saúde mental para as universidades. Por isso entendemos a importância deste dossiê, previsto para ser publicado Janeiro a Abril/2022.

Data máxima de submissão: 15/01/2022

O referido dossiê será publicado na REVASF, por se tratar de uma revista que está vinculada ao campo de saber da Educação em uma perspectiva interdisciplinar. Portanto, essa chamada está direcionada a profissionais das mais diversas áreas, absorvendo relatos de pesquisa, relatos de experiência, ensaios, estudos teóricos e revisões sistemáticas.

Os manuscritos devem ser originais e inéditos e devem estar em conformidade com as normas da revista. As propostas devem ser submetidas no portal da REVASF: http://www.periodicos.univasf.edu.br/index.php/revasf/index 

Organizadores:

Profª Drª Shirley Macêdo, UNIVASF, shirley.macedo@univasf.deu.br

Prof  Dr Alessandro de Magalhães Gemino, UERJ, alessandrogemino@gmail.com

Profª Drª Joelma Ana Gutiérrez Espíndula, UFRR, espindulajoelma@gmail.com